- por Juarez Junior
Vamos falar do bom e velho cinema nacional. Filmes repletos de palavrões, nudez, sexo, violência, estilo, inteligência e uma técnica de improviso genuína. O cinema brasileiro que o povo gosta é esse, e não aquela variações de novelas globais. Assim, aqui vão cinco indicações de clássicos (acessíveis) de uma época que deixou saudades:
- Dama da Lotação: Sonia Braga no auge de sua beleza, comandada pelo nada púdico Neville de Almeida. O resultado não poderia ter sido melhor. Momento Inesquecível: O motorista Roberto Bonfim dá uma desculpa pra Ivan Setta checar o pneu do ônibus. A intenção é desfrutar sozinho de toda sensualidade da bela morena. Sacanagem, Bacalhau!
- Bonitinha, mas Ordinária: Um clássico baseado nos escritos de Nelson Rodrigues. Perversão em doses nada homeopáticas. Momento Inesquecível: Não tem jeito, o prêmio vai para Lucélia Santos e o nosso parceiro Cadelão.
- Eu Te Amo: Filme inteligente dirigido por um inspirado Arnaldo Jabor e com música de Chico Buarque. Ah, desculpe, o protagonista é um tal de Paulo César Pereio. Momento Inesquecível: A boquinha suja de Sônia Braga mandando o juiz (vizinho de seu amante-cliente) ir procurar sua turma.
- Os Sete Gatinhos: Família nada convencional explicita a sordidez e hipocrisia da nossa sociedade. Nelson Rodrigues adaptado por Neville de Almeida. É melhor parar por aqui. Momento Inesquecível: Ana Maria Magalhães com Antônio Fagundes ao som de Cavalgada. Tem também Regina Casé na piscina mandando o “Não vai me comer” pra Maurício do Valle.
- Amor Bandido: Este é um dos meus favoritos. Ladrão mata taxistas no Rio de Janeiro e é perseguido por policial de métodos nada ortodoxos. O caso amoroso é com a bela prostituta interpretada por Cristina Aché. Sob a batuta de Bruno Barreto. Momento Inesquecível: A nossa querida garota de programa suspirando pelo rei Roberto Carlos no cinema.
Como dica de cinema, Maré, Nossa História de Amor que estréia no dia 4 de abril no circuito Rio-São Paulo. Trata-se de cinema novo brasileiro – feito por aqueles que olham pra frente sem ignorar o que foi feito no passado.
Pois bem, o caminho dos Stones no campo da atuação é um pouco controverso. Com exceção de Performance, em que Mick Jagges interpreta a si mesmo (digamos assim), pouca coisa se aproveita. Ned Kelly, por exemplo, é o pior faroeste que já acompanhei. Já Richards fez aquela ponta na terceira parte de Piratas do Caribe para dar uma moral para Johnny Depp, que já cantou aos quatro ventos que se inspirou nele para compor Jack Sparrow. Mas o pior fica com a tentativa de se romancear a trajetória da banda como obra de ficção, pouca coisa se salva. O que foi aquele suspense horroroso chamado Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones? Filmeco feito para a TV com versão mais forçada da morte prematura de Brian Jones. Talvez quando falamos de Godard e seu Sympathy for the Devil a coisa mude um pouco de figura. Ouve-se umas quarenta vezes o início da mesma música, mas não conseguimos ficar saturados – os depoimentos da juventude sessentista são muito bem encaixados. O erudito e o pop em um namoro que deu certo.
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