- por Juarez Junior
Tem gente que tem uma certa aversão ao nosso querido Woody Allen, mas é fato que quem se alimenta desta antipatia nunca passou duas horas saboreando os espertos diálogos e vivenciando os dilemas dos personagens deste cineasta genial. Na verdade, Allen merece um capítulo a parte na cinematografia americana – sempre andou no limiar entre o independente e o cinemão, na construção de tipos que personificam todos os anseios e frustrações do homem urbano moderno. Caso desconheça, não perca mais tempo, e deixe-se levar pelos afiados diálogos deste bem-humorado neurótico. Aqui vão cinco indicações de filmes do nosso ruivinho favorito e suas crises existenciais discutidas em amplos apartamentos e táxis nova-iorquinos:
Bananas: Muito divertida essa história de um universitário americano que vira líder de uma república caribenha. A própria premissa pode parecer preconceituosa, mas no fundo é só ironia, Allen faz isso com todas raças e credos, inclusive com a sua.
Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar: O caso de amor entre Gene Wilder e uma ovelha pode não agradar a todos, mas é certo que Allen como um espermatozóide sob o comando de Burt Reynolds arranca gargalhadas de qualquer um.
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa: Considerado o clássico absoluto do cineasta (na verdade, sua quase redenção comercial), a história de amor entre uma bela, inteligente e insegura garota tentando a sorte em Nova Iorque (e Los Angeles) e um irônico e amargo comediante provoca identificação imediata. Atenção na cena em que um jovem Christopher Walken como irmão da protagonista revela suas tendências suicidas ao volante. É de rolar de rir.
Manhattan: Belíssima ciranda de amores, culpas (tema recorrente na obra do cineasta) e desejos em uma Nova Iorque cheia de possibilidades e pessoas desesperadas. Já vale apenas pela beleza de Mariel Hemingway, mas há muito, muito mais do que isso. Em preto e branco.
A Última Noite de Boris Grushenko: Mais uma vez Allen transborda ironia na história de um inseguro russo diante de um dilema durante a invasão napoleônica. A sintonia entre Diane Keaton (uma das musas do diretor) e Allen é expressa em diálogos memoráveis.
Pois bem, o caminho dos Stones no campo da atuação é um pouco controverso. Com exceção de Performance, em que Mick Jagges interpreta a si mesmo (digamos assim), pouca coisa se aproveita. Ned Kelly, por exemplo, é o pior faroeste que já acompanhei. Já Richards fez aquela ponta na terceira parte de Piratas do Caribe para dar uma moral para Johnny Depp, que já cantou aos quatro ventos que se inspirou nele para compor Jack Sparrow. Mas o pior fica com a tentativa de se romancear a trajetória da banda como obra de ficção, pouca coisa se salva. O que foi aquele suspense horroroso chamado Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones? Filmeco feito para a TV com versão mais forçada da morte prematura de Brian Jones. Talvez quando falamos de Godard e seu Sympathy for the Devil a coisa mude um pouco de figura. Ouve-se umas quarenta vezes o início da mesma música, mas não conseguimos ficar saturados – os depoimentos da juventude sessentista são muito bem encaixados. O erudito e o pop em um namoro que deu certo.
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