Arquivo para Março, 2008

15
Mar
08

Rato de Locadora #6 – Stephen King

- por Juarez Junior

Esta semana, vou atender ao pedido de Boom, que pediu uma explicação pelo fato de eu ter feito uma crítica negativa a Stephen King no texto da semana pessada. Acho que ter postado “as besteiras escritas por King” foi mesmo um pouco forte de mais. Mesmo assim, tentarei me explicar; gosto de vários filmes baseados nas obras dele, mas a minha implicação vem do fato de que a “prosa” dele é fraquinha de mais, os textos são paupérrimos quando o papo é literatura.

Ao meu ver, isso se deve ao caráter prolífico do autor. Produz demais, mas no caso dele a qualidade sempre foi prejudicada pela quantidade. Na verdade, um oportunista que pegou um tema tão recorrente na literatura contemporânea – o terror – e descobriu uma mina de ouro. Não há como questionar a criatividade em criar universos e personagens, mas o aspecto comercial fala sempre mais forte. Romances feitos sob encomenda viram uma espécie de histórias em quadrinhos – a  profusão de tantos heróis e vilões não surgem se não pelo simples fato de que todo mês (quinzena, ou semana) você deve ter necessariamente um novo gibi na praça. E como Stephen King age como um gibizeiro de quinta categoria … E olha que não falo das edições traduzidas, pois li uns contos do cara em inglês e a coisa passou longe da boa literatura. Caramba, não sou tão chato e não escrevo nada pra bancar o crítico literário. Assim, como forma de redenção ao meu amigo Boom, vamos aos bons exemplos do cinema baseado em King:

Carrie, A Estranha – Filmaço intimista que é muito mais do que uma fábula cruel sobre o fenômeno do bullying.

Cemitério Maldito – Triste, violenta e estilosa, a história do pai desesperado com o filho morto. Quem consegue esquecer a navalhada no calcanhar?

Christine – Vide a coluna anterior.

Colheita Maldita – O autor adora macular a pureza das crianças, e aqui a maldade infantil hegou ao seu ápice.

Cujo – Fábula sobre a perigosa relação entre um adorável São Bernardo e sua dona. A cena do ataque ao carro é antologia oitentista.

A Hora da Zona Morta – Walken constrói um personagem marcante sob a batuta de Cronenberg.

O Iluminado - Uma família em um hotel vazio no rigoroso inverno do Colorado. Uma história de loucura e medo nas mãos do Mestre Kubrick. 

08
Mar
08

Rato de Locadora #5 – Doce Ridículo

- por Juarez Junior

John Carpenter é o CARA no cinema B norte-americano. Ele não tinha medo de se aventurar por terrenos inóspitos e vingar projetos de pretensão infantil na tela. Projetos estes deliciosamente ingênuos que pareciam saídos da cabeça de uma criança inteligente. Com homenagens a filmes antigos ou criando conceitos em trama absurdas, John Carpenter deu as cartas no criativo cinema americano de baixo orçamento no dinal da década de 70. E não diga que não se importa com isso – pois aonde você acha que os grandes estúdios foram buscar gente como Peter Jackson (este na Nova Zelândia) e Sam Raimi? É, se o mundo se curva diante dos realizadores de Homem-Aranha e da saga do Queima-Anel, deve muito à influência deste talentoso cineasta nascido em Nova York em 1948, criado em Kentucky e ganhador do Oscar de curta de animação em 1971, com um desenho-faroeste, The Ressurection of Broncho Billy.

Acho que já elogiamos demais, então vamos a algumas pérolas que não podem passar despercebidas:

- Assalto a 13° DP – Filme fortíssimo e politicamente incorreto. Bagaceira pura.

- Fuga de Nova York – O início da saga do escrotaçõ Snake é imperdível.

- O Enigma do Outro Mundo – Alguém consegue se esquecer da cabeça que vira aranha?

- Halloween - Carpenter criou um conceito e também compôs a música, que virou sinônimo de filmes de suspense.

- Christine – Até mesmo as besteiras escritas por Stephen King ficam charmosas nas mãos de Carpenter.

- Eles Vivem – Uma verdadeira agulhada política. Impossível esquecer os óculos que identificam os poderosos alienígenas.

O cara escorregou em filmes como Vampiros, mas mesmo assim continua uma criança à frente do seu tempo.

01
Mar
08

Rato de Locadora #4 – Muito Barulho por Nada

- por Juarez Junior

Estava pensando em escrever mal do Oscar, mas esta edição de 2008, apesar de como evento ter deixado muito a desejar, premiou filmes relevantes e que vão em uma linha mais autoral, justamente na contramão da linha industrial. Onde os Fracos Não Têm Vez foi definitivamente uma bola dentro e não simplesmente uma forçada de barra com a premiação de um filme menor de um grande realizador.

Pois bem, na linha das injustiças vale citar Al Pacino, que apesar de ser o Poderoso Chefão definitivo, ganhou o prêmio por um filmeco em que faz a caricatura de uma pessoa cega – regra seguida po Denzel Washington (acho Dia de Treinamento muito legal, mas Denzel já fez The Hurricane e Malcom X). Os Infiltrados é legalzinho, mas Scorsese é melhor que aquilo. E os americanos ADORAM idolatrar Cidadão Kane, no entanto o filme só ganhou o Oscar de Roteiro (na verdade, o Oscar da compensação, vide recentemente Juno e Sideways – Entre Umas e Outras). Sem falar nos filmes que papam duzentas estatuetas, como por exemplo Ben-Hur, O Retorno do Rei, Dança com Lobos, Shakespeare Apaixonado (este é bomba!), Coração Valente e Titanic. Não que sejam filmes ruins, apenas não são tão bons assim. Pior que isso é premiar Russel Crowe, Juli Roberts e Gwyneth Paltrow pelo sucesso comercial, quando estes ainda estavam em fase de amadurecimento como profissionais. Ou o trabalho da turma em Gladiador, Erin Brockovich e Shakespeare Apaixonado, respectivamente, foram exemplos de interpretação? Definitivamente não.

É por essas e outras que a galera que busca alternativas sadias ao cinema americano despreza tanto o Oscar; ninguém mais aguenta ver filmes de guerra com bandeiras americanas, nazistas malvados e crianças judias. E para não dizerem que não falei das flores, vale citar os estrangeiros no Oscar deste ano, o reconhecimento de O Poderoso Chefão e a polêmica de dar notoriedade a filmes como O Franco Atirador, Platoon e O Silêncio dos Inocentes. Ah, ia me esquecendo de Marlon Brandon ridicularizando o prêmio.

Na próxima coluna: O legado de John Carpenter.