- por Juarez Junior
Com o alvoroço causado pelo esperado documentário Shine a Light em Cannes … Para quem ainda não sabe, trata-se do retrato de um show dos Rolling Stones nas mãos talentosas de ninguém mais, ninguém menos, do que Martin Scorsese e uma turma de talentosos cinegrafistas. Aliás, quem acompanha o trabalho do diretor sabe que o cara tem um carinho especial pelo bom e velho Rock’n Roll. Assim, os Stones são praticamente referência obrigatória em seus filmes.
Pois bem, o caminho dos Stones no campo da atuação é um pouco controverso. Com exceção de Performance, em que Mick Jagges interpreta a si mesmo (digamos assim), pouca coisa se aproveita. Ned Kelly, por exemplo, é o pior faroeste que já acompanhei. Já Richards fez aquela ponta na terceira parte de Piratas do Caribe para dar uma moral para Johnny Depp, que já cantou aos quatro ventos que se inspirou nele para compor Jack Sparrow. Mas o pior fica com a tentativa de se romancear a trajetória da banda como obra de ficção, pouca coisa se salva. O que foi aquele suspense horroroso chamado Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones? Filmeco feito para a TV com versão mais forçada da morte prematura de Brian Jones. Talvez quando falamos de Godard e seu Sympathy for the Devil a coisa mude um pouco de figura. Ouve-se umas quarenta vezes o início da mesma música, mas não conseguimos ficar saturados – os depoimentos da juventude sessentista são muito bem encaixados. O erudito e o pop em um namoro que deu certo.
No campo de documentários e shows a coisa melhora um pouco. Como exemplos, o excelente Gimme Shelter (trabalho sobre aquele famoso show em Altamont, San Francisco, no qual os Hells Angels mataram um espectador no meio da multidão), o chato CockSucker Blues (tentando mostrar a falta de limites durante uma turnê nos EUA, no início dos anos 1970 – quem mais se destaca é o saxofonista Bobby Keys) e Stones in The Park (o show no Hyde Park depois da morte de Brian Jones em edição para a televisão – bonito o momento do poema de Mary Shelley lido por Jagger, seguido pela chuva de borboletas brancas). Agora resta ficar na expectativa para ver o que Scorsese vai aprontar.
Momento Marcante: Fica a dica de Performance, no qual um gângster, interpretado com brilhantismo por Jamie Foxx se vê confrontado ao se esconder no apartamento do amalucado Turner (Jagger). O filme é de 1969 e talvez junto de Blow Up de Antonioni seja o grande retrato da Swinging London. Vale pela cena em que Anita Pallenberg, no auge da beleza, aplica uma dose de B12 no bumbum. É, garoto. It’s Only Rock N’Roll but I like it.
Na próxima coluna, um retrato apaixonado dos slashers movies.
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