- por Juarez Junior
Ao ver o documentário Going to Pieces que trata dos slashers americanos da década de 80 pude fazer um rápido balanço de quanto tempo passei me divertindo na frente da TV com este cinema de qualidade tão duvidosa. Definitivamente os slashers são meu guilty pleasure. Com a bagagem de um aficionado, vamos as três séries que definiram o gênero: Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo.
Halloween – John Carpenter reinventou o giallo e o transformou em slasher com o final da série, até hoje um clássico absoluto. As repetições que vieraram a posteriori afundaram e ridicularizaram Michael Myers. Mas o estrago já estava feito. Melhor Morte: O rapaz que tem seu sangue praticamente todo drenado em Halloween II.
Sexta-Feira 13 – Jason foi meu herói de infância. E sempre gostei da senhora Voorhees também. Entretanto, as continuações aqui foram além do bom senso. Meu Deus, o que é aquele Jason vai para o Inferno? Melhor Morte: Jason simplesmente parte ao meio com seu facão um rapaz que planta bananeira em Sexta-Feira 13 – Parte 3. Violência do jeito que o povo gosta.
A Hora do Pesadelo – Freddy sempre foi mais sofisticado, além do original ter reinventado as bases do gênero. Como não achar mais abrigo nos próprios sonhos? Um terror inigualável. Apesar da irregularidade das seqüências, no conjunto da obra ainda se sobressai. Melhor Morte: A primeira da série, com a garota sendo cortada por Freddy, e depois voando no quarto, com o namorado apavorado ao lado.
É importante lembrar que todos esses filmes valem pelo extravagante visual oitentista. Como indicação ficam o maravilhoso The Burning (Vingança de Cropsy ou Chamas da Morte) em que um maluco com uma tesoura de poda na mão apronta e muito em um acampamento cheio de infanto-adolescentes, e Feliz Aniversário Para Mim, com umas das mortes mais fodonas da nossa época – aquela da moto ligada. Este último tem um final horrível, quase tão ruim quanto o de Acampamento Sinistro. Quem viu sabe do que eu estou falando.
Na próxima coluna: Oscar é sinônimo de qualidade?
Pois bem, o caminho dos Stones no campo da atuação é um pouco controverso. Com exceção de Performance, em que Mick Jagges interpreta a si mesmo (digamos assim), pouca coisa se aproveita. Ned Kelly, por exemplo, é o pior faroeste que já acompanhei. Já Richards fez aquela ponta na terceira parte de Piratas do Caribe para dar uma moral para Johnny Depp, que já cantou aos quatro ventos que se inspirou nele para compor Jack Sparrow. Mas o pior fica com a tentativa de se romancear a trajetória da banda como obra de ficção, pouca coisa se salva. O que foi aquele suspense horroroso chamado Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones? Filmeco feito para a TV com versão mais forçada da morte prematura de Brian Jones. Talvez quando falamos de Godard e seu Sympathy for the Devil a coisa mude um pouco de figura. Ouve-se umas quarenta vezes o início da mesma música, mas não conseguimos ficar saturados – os depoimentos da juventude sessentista são muito bem encaixados. O erudito e o pop em um namoro que deu certo.
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