Arquivo para Fevereiro, 2008

24
Fev
08

Rato de Locadora #3 – Sangue, nudez e diversão

- por Juarez Junior

Ao ver o documentário Going to Pieces que trata dos slashers americanos da década de 80 pude fazer um rápido balanço de quanto tempo passei me divertindo na frente da TV com este cinema de qualidade tão duvidosa. Definitivamente os slashers são meu guilty pleasure. Com a bagagem de um aficionado, vamos as três séries que definiram o gênero: Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo.

HalloweenJohn Carpenter reinventou o giallo e o transformou em slasher com o final da série, até hoje um clássico absoluto. As repetições que vieraram a posteriori afundaram e ridicularizaram Michael Myers. Mas o estrago já estava feito. Melhor Morte: O rapaz que tem seu sangue praticamente todo drenado em Halloween II.

Sexta-Feira 13 – Jason foi meu herói de infância. E sempre gostei da senhora Voorhees também. Entretanto, as continuações aqui foram além do bom senso. Meu Deus, o que é aquele Jason vai para o Inferno? Melhor Morte: Jason simplesmente parte ao meio com seu facão um rapaz que planta bananeira em Sexta-Feira 13 – Parte 3. Violência do jeito que o povo gosta.

A Hora do Pesadelo – Freddy sempre foi mais sofisticado, além do original ter reinventado as bases do gênero. Como não achar mais abrigo nos próprios sonhos? Um terror inigualável. Apesar da irregularidade das seqüências, no conjunto da obra ainda se sobressai. Melhor Morte: A primeira da série, com a garota sendo cortada por Freddy, e depois voando no quarto, com o namorado apavorado ao lado.

É importante lembrar que todos esses filmes valem pelo extravagante visual oitentista. Como indicação ficam o maravilhoso The Burning (Vingança de Cropsy ou Chamas da Morte) em que um maluco com uma tesoura de poda na mão apronta e muito em um acampamento cheio de infanto-adolescentes, e Feliz Aniversário Para Mim, com umas das mortes mais fodonas da nossa época – aquela da moto ligada. Este último tem um final horrível, quase tão ruim quanto o de Acampamento Sinistro. Quem viu sabe do que eu estou falando.

Na próxima coluna: Oscar é sinônimo de qualidade?

14
Fev
08

Rato de Locadora #2 – Rolling Stones

- por Juarez Junior

Com o alvoroço causado pelo esperado documentário Shine a Light em Cannes … Para quem ainda não sabe, trata-se do retrato de um show dos Rolling Stones nas mãos talentosas de ninguém mais, ninguém menos, do que Martin Scorsese e uma turma de talentosos cinegrafistas. Aliás, quem acompanha o trabalho do diretor sabe que o cara tem um carinho especial pelo bom e velho Rock’n Roll. Assim, os Stones são praticamente referência obrigatória em seus filmes.

Rolling StonesPois bem, o caminho dos Stones no campo da atuação é um pouco controverso. Com exceção de Performance, em que Mick Jagges interpreta a si mesmo (digamos assim), pouca coisa se aproveita. Ned Kelly, por exemplo, é o pior faroeste que já acompanhei. Já Richards fez aquela ponta na terceira parte de Piratas do Caribe para dar uma moral para Johnny Depp, que já cantou aos quatro ventos que se inspirou nele para compor Jack Sparrow. Mas o pior fica com a tentativa de se romancear a trajetória da banda como obra de ficção, pouca coisa se salva. O que foi aquele suspense horroroso chamado Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones? Filmeco feito para a TV com versão mais forçada da morte prematura de Brian Jones. Talvez quando falamos de Godard e seu Sympathy for the Devil a coisa mude um pouco de figura. Ouve-se umas quarenta vezes o início da mesma música, mas não conseguimos ficar saturados – os depoimentos da juventude sessentista são muito bem encaixados. O erudito e o pop em um namoro que deu certo.

No campo de documentários e shows a coisa melhora um pouco. Como exemplos, o excelente Gimme Shelter (trabalho sobre aquele famoso show em Altamont, San Francisco, no qual os Hells Angels mataram um espectador no meio da multidão), o chato CockSucker Blues (tentando mostrar a falta de limites durante uma turnê nos EUA, no início dos anos 1970 – quem mais se destaca é o saxofonista Bobby Keys) e Stones in The Park (o show no Hyde Park depois da morte de Brian Jones em edição para a televisão – bonito o momento do poema de Mary Shelley lido por Jagger, seguido pela chuva de borboletas brancas). Agora resta ficar na expectativa para ver o que Scorsese vai aprontar.

Momento Marcante: Fica a dica de Performance, no qual um gângster, interpretado com brilhantismo por Jamie Foxx se vê confrontado ao se esconder no apartamento do amalucado Turner (Jagger). O filme é de 1969 e talvez junto de Blow Up de Antonioni seja o grande retrato da Swinging London. Vale pela cena em que Anita Pallenberg, no auge da beleza, aplica uma dose de B12 no bumbum. É, garoto. It’s Only Rock N’Roll but I like it.

Na próxima coluna, um retrato apaixonado dos slashers movies. 

08
Fev
08

Rato de Locadora #1 – 1971

- por Juarez Junior

Nesta primeira coluna vamos ao número 1 da década mais controversa do cinema. Assim, a primeira indicação vai para um clássico policial setentista com todos os ingredientes do gênero. O filme em questão é o bom Klute – O Passado Condena com direção de Alan J. Pakula e Jane Fonda liderando o elenco no papel da confusa prostituta Bree. Detetive particular resolve investigar o caso do desaparecimento de um figurão acima de qualquer suspeita. John Klute (Donald Sutherland) está muito bem como o detetive caipirão que confronta e se vê confrontado pela luxúria da cidade grande. Nova Iorque nos anos 1970 é sempre um deslumbre, Roy Scheider como o gigolô picareta que controla a descolada prostituta -impossível não lembrar do personagem de James Woods em Cassino - e outros fatores setentistas fazem Klute valer a pena. Momento Marcante: diálogo afiado no qual Bree confronta o detetive sobre o deslumbramento exercido pela cidade grande. A resposta dele é de fazer Clark Gable sorrir no túmulo.

Ainda em 1971, temos Vampiros Lesbos, talvez o grande filme de titio Jess Franco. Vale a penas não apenas pela beleza sem ressalvas de Soledad Miranda – Meu Deus, é uma coisa de louco – mas pelo climinha kitsch que perpassa toda a saga. A trama, amarrada com a frouxidão de um artesão, funciona como mera desculpa para a profusão de cenas lisérgicas e eróticas. O resultado é pra lá de animador. Filme para iniciados que não vão se importar com o fake da violência. Momento Marcante: a intimidade entre Soledad e outra famosa jessiana, Ewa Strömberg, em uma bela casa de praia.

Na próxima coluna, Rolling Stones e Cinema – uma mistura cheia de altos e baixos.